26/04/2018 iGUi Ecologia 0Comment

Hoje é o dia do pinguim! Apesar do Brasil ser um país de clima mais quente, todos os anos somos visitados pelos pinguins-de-Magalhaes. Os pinguins são aves oceânicas da ordem Sphenisciformes caracterizadas por não possuírem capacidade de vôo, pois suas asas são transformadas em nadadeiras e seus ossos não são pneumáticos (oco). São adaptadas à vida aquática devido a capacidade de utilizarem suas asas para propulsão, fazendo com que atinjam uma velocidade de até dez metros por segundo embaixo d’água, onde podem permanecer submersas por vários minutos. Além disso, possuem a visão adaptada ao mergulho. Tais características contribuem para tornarem-se exímios pescadores.

Apresentam, ao longo do ano, uma época reprodutiva (de novembro a janeiro), na qual só vão ao mar por curtos períodos para se alimentar, permanecendo a maior parte do período em águas Argentinas e Chilenas e uma época oceânica (principalmente de março a setembro), quando realizam uma migração para o norte, passando o inverno na plataforma continental, em frente às costas do Uruguai e do Brasil.

As fêmeas colocam dois ovos entre outubro e novembro, sendo que a maioria deles eclode entre meados de novembro e início de dezembro. Após o nascimento, os pais revezam-se na alimentação dos filhotes durante três a quatro semanas. Após um mês os pais vão em busca de alimentos juntos, os filhotes são deixados sozinho e começa a formação da “creche”, ou seja muitos filhotes perto dos ninhos sem a presença dos pais. Esses juvenis vão ao mar em sua mais longa migração em janeiro ou fevereiro, eles vão para o mar com aproximadamente três meses de idade, permanecendo nele durante cinco anos, indo para o continente apenas para fazer a troca de penas. Após esse grande período ao mar, eles voltam para suas colônias para iniciar seu ciclo reprodutivo.

Há registros de pinguins juvenis capturados em junho de 1971 no Rio de Janeiro e em julho e agosto em Santa Catarina, que haviam sido anilhados em janeiro deste mesmo ano em Punta Tombo, a 2.500 km em linha reta de distância.

A presença de pinguins nas praias do sul e sudeste brasileiro é um fenômeno natural que ocorre no inverno. Estudos arqueológicos de sambaquis ao longo da costa do Brasil revelam camadas de conchas e fragmentos de pontas de flechas, machados, cerâmica, esqueletos humanos e esqueletos de animais, incluindo os ossos de pinguins, indicando que eles vêm para a costa brasileira muito antes da colonização Portuguesa.

Várias hipóteses têm surgido para descrever as ocorrências de pinguins no sul e sudeste brasileiro, e baseado nisto, acredita-se que durante a migração, essas aves podem sofrer inúmeras situações de estresse como variações climáticas bruscas, privação alimentar, infestação por parasitas contra os quais a espécie não criou defesa natural, danos físicos, ação humana, poluição, predação ou ainda doenças. Devido a essas diversas condições, a grande maioria dos animais que chegam às praias brasileiras no inverno apresentam, como sinais clínicos: desidratação, hipotermia (temperatura abaixo do normal), magreza e lesões traumáticas, sendo enviados aos centros de reabilitação.

Se encontrar um pinguim na praia, não o coloque no gelo!!! Coloque em uma caixa de papelão e avise as autoridades locais!!