06/09/2018 iGUi Ecologia 0Comment

Andrei Polejack é o Coordenador Geral de Oceanos, Antártica e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e trabalha com as Ciências Marinhas e Antárticas desde 2002. Ele nos concedeu uma entrevista sobre seu trabalho:

1. Você pode nos explicar como é o seu trabalho?

Eu sou coordenador geral de Oceanos Antártica e Geocências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e nós coordenamos os esforços federais de pesquisa no mar e na Antártica e geociências também, geociências é um tema novo na coordenação, estamos trabalhando basicamente com a geologia marinha e a parte de geologia na Antártica que é bem forte. Nós somos responsáveis por editais de pesquisa, cooperação internacional, programas de governo e sempre que possível somos acionados para dar informações científicas para o processo de tomadas de decisão em algum processo governamental.

2. Qual a maior dificuldade no processo de tomada de decisões para Ciência e Tecnologia aqui no Brasil?

Nosso maior problema é recurso, o recurso destinado à pesquisa, por que nós já temos muito claro o que precisa ser feito, já temos as prioridades bem elencadas e os cortes que o Ministério sofreu foram cortes profundos. Na tomada de decisão política o que falta é a informação chegar de uma forma que ela seja digerida e internalizada para que as pessoas se apropriem da informação científica como sendo uma informação confiável e que possa realmente auxiliar no processo de tomada de decisão. Dentro do meu ministério é mais simples por que, afinal de contas, nós trabalhamos diretamente com pesquisadores e a sociedade em geral, mas quando a gente cruza a esplanada e vai para outros ministérios nós vemos que eles não tem as mesmas facilidades que nós temos, por que não tem essa lida direta com o pesquisador que nós temos.

3. O que pode ser feito para melhorar a comunicação entre cientistas e o governo?

Os pesquisadores poderiam se organizar e uma forma que eles têm feito isso bem são pelas Sociedades, por exemplo, Sociedade Brasileira de Genética, Sociedade Para o Progresso da Ciência etc. Essas sociedades são bem efetivas por que elas conseguem organizar os pesquisadores de um determinado tema e produzem informações da fronteira do conhecimento. O governo usa muito as sociedades e os grupos organizados de pesquisa. No caso da pesquisa marinha a interação com o governo acaba sendo muito íntima por que a comunidade científica, comparada com outras, não é muito grande. Mas se você pensa por exemplo na pesquisa em saúde, são muito mais pessoas envolvidas, é muito mais fácil ir na sociedade ou nos grupos organizados e manter o diálogo entre o governo e esses grupos do que ir em cada indivíduo. Outro exemplo de como essas sociedades funcionam é que em todo ano de eleição para presidente a Academia Brasileira de Ciência e a Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência, organizam um documento para os presidenciáveis com as prioridades de investimento nessa área pressionado um plano de governo para a área de ciência e tecnologia.

4. Ultimamente tem sido muito divulgado os impactos da poluição, principalmente nos ambientes marinhos, o que o governo tem visto como prioridade para diminuir a poluição nesses ambientes?

As pessoas tendem a não fazer uma relação muito clara entre os ambientes terrestre e marinho, por isso o governo parou de usar o termo poluição marinha e passou a usar o termo lixo no mar. Por que esse lixo vem da terra, do continente e vai para o mar. Sem sombra de dúvida a maior causa de lixo no mar é a falta de saneamento nas cidades, esse é o problema número 1. Se todos tivessem acesso a esgoto e água potável facilitaria muito a diminuição da poluição no mar. Outra medida que deve ser tomada é o processo de limpeza dos rios para que o impacto causado no mar seja minimizado ao máximo. Portanto, devem ser 2 frentes: fazer a limpeza no mar e acabar com a fonte da poluição que está nos rios.

5. Quais as prioridades do governo em relação à pesquisa nos ambientes marinhos?

O governo aprovou uma Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação que vai até 2022 e nesse documento estão alinhadas todas as prioridades para a ciência de forma geral, em todas as áreas. Cada área foi incubida de fazer um plano de ação detalhando o que seria prioridade para aquela área. No caso de oceanos o plano de ação foi elaborado pelo Comitê de Ciências do Mar do Ministério, que é feito por representantes da indústria, da academia e de governo e foram 5 programas aprovados: 1. Biodiversidade Marinha; 2. Zonas costeiras e plataforma continental; 3. Circulação oceânica, interação oceano-atmosfera, variabilidade e mudança climática; 4. Mar profundo; 5. Tecnologia e estrutura para pesquisa oceânica.

Sobre o entrevistado:

ANDREI POLEJACK ANDREI POLEJACK, Coordenador Geral de Oceanos, Antártica e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, vem trabalhando com as Ciências Marinhas e Antárticas desde 2002. Biólogo, com Mestrado em Ecologia pela Universidade de Brasília, coordena os esforços brasileiros de pesquisa no Atlântico e na Antártica, assessorando tecnicamente ações de governança, análise de projetos de pesquisa, formulação e implementação de políticas públicas, entre outras atividades. Como bolsista do consórcio ONU-Fundação Nippon do Japão, realizou pesquisa sobre uma Estrutura de Política para a coordenação das Ciências Oceânicas no Brasil, com foco na interface ciência-política no processo de tomada de decisão. Atuou como Representante Global de Alunos desta Fellowship de 2010-12, coordenando atividades de ex-alunos entre mais de cinquenta países. Possui também experiência com ONGs, tendo sido coordenador de projetos e diretor da ONG Pequi, pesquisa e conservação do bioma Cerrado.