Você já ouviu falar em terras raras? O nome parece coisa de filme de ficção científica — mas não são “terras” e muito menos tão “raras” assim!
Há mais de 100 anos, pesquisadores suecos identificaram 17 elementos químicos que hoje conhecemos como o grupo das terras raras: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, escândio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio. Apesar do nome curioso, eles são relativamente abundantes na crosta terrestre — o desafio está em encontrá-los concentrados em quantidade suficiente para exploração econômica.

Entre eles, o queridinho do momento é o neodímio. Segundo o professor da Poli-USP, Dr. Fernando Landgraf, ele é altamente cobiçado porque pode ser transformado em superímãs extremamente potentes. Esses ímãs estão presentes em geradores eólicos, carros elétricos, equipamentos militares e até no alto-falante do seu celular. Ou seja: sem terras raras, grande parte da tecnologia moderna simplesmente não funcionaria.
Até a década de 1990, os Estados Unidos lideravam a produção mundial. Com a entrada da China no mercado, a produção global aumentou significativamente — e hoje o país responde por cerca de 90% da oferta mundial. A China possui reservas em aproximadamente 40% do seu território. O Brasil aparece em segundo lugar em potencial geológico, com cerca de 25% das reservas conhecidas, distribuídas principalmente na Amazônia, em Goiás, em Poços de Caldas (MG) e na Bahia. No entanto, apesar desse potencial, o país responde por apenas cerca de 1% da produção global.

Como toda atividade minerária, a extração de terras raras traz impactos ambientais relevantes. O processo é complexo: para cada 1.000 kg de minério extraído, apenas cerca de 1 kg (ou menos) corresponde efetivamente a elementos de terras raras. Isso significa grande volume de rejeitos e risco de contaminação ambiental, especialmente de recursos hídricos — uma das principais preocupações dos especialistas.
Mas há uma boa notícia: esses elementos podem ser reciclados. Computadores antigos, por exemplo, especialmente em seus discos rígidos, podem conter quantidades significativas desses materiais — chegando a quase 100 gramas em alguns casos. Ou seja, além da mineração, a economia circular pode desempenhar papel fundamental no futuro das terras raras.
Tecnologia, geopolítica, meio ambiente e inovação — tudo misturado em 17 elementos químicos que, apesar do nome, estão mais presentes na sua vida do que você imagina.

