Expedição de Microchipagem de tartarugas no Atol das Rocas 2016.

Na próxima semana a expedição de microchipagem de tartarugas marinhas no Atol 2016 retornará com força total!! Todas as numerações dos 108 microchips, utilizados no período reprodutivo de 2015, foram enviados para o Inventário de marcação de Tartarugas Marinhas do The Archie Carr Center for Sea Turtle Research (ACCSTR) na Universidade da Florida. Esse inventário também está a disposição no site da BW (http://bwvet.com.br/site/?page_id=390) para qualquer indivíduo que queira relatar o encontro com uma tartaruga marcada.

Neste ano, as equipes já estão formadas e todo mês uma dupla de pesquisadores estarão relatando para vocês como é a realização da microchipagem além de descrever como é o dia-a-dia no único Atol do Atlantico Sul.

Nesta expedição contaremos com dois pesquisadores: Luciano Abel e Karoline Ferreira. O Luciano é bacharel e licenciado em ciências biológicas e mestre em genética e evolução pela Universidade Federal de São Carlos. Possui aperfeiçoamento internacional na Hand Köll Institut (Alemanha) e na Dalhousie University (Canadá). Atuou profissionalmente no Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural e no Instituto de Física de São Carlos/USP. Atualmente trabalha com projetos de extensão universitária, divulgação científica e educação ambiental no Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP. A Karoline é graduada em Ciências Biológicas pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, com experiência em educação ambiental, manejo de animais marinhos e atuou em área de alimentação de tartarugas marinhas em Ubatuba, SP. Assistam o vídeo abaixo para relembrarem da temporada de 2015!

Mais uma vez não podemos deixar de agradecer nosso patrocinador, a iGUi, por todo o apoio na realização desta expedição!

Este projeto é uma iniciativa da BW Consultoria Veterinária e REBio Atol das Rocas/ICMBio/MMA, conta com o patrocínio da iGUi e possui licença SISBio nº40636-3.

Atol das Rocas


iGUi Ecologia apoia curso em Ubatuba.

A iGUi Ecologia no mês de outubro apoiou o curso de Introdução a Biologia Marinha, realizado em Ubatuba pela BW Consultoria Veterinária. O curso abordou temas importantes, como: peixes e tartarugas marinhas, aves e mamíferos marinhos, recursos pesqueiros, ecossistemas marinhos e reabilitação de animais marinhos. A situação do meio ambiente atual também foi bastante discutida e explorada pelos palestrantes. Os públicos alvos foram estudantes e profissionais da área.

Os palestrantes, todos especialistas nas áreas foram: Dr. Marcus Rodrigues, Dr. Marcelo Fukuda, Dr. Camilo Lellis-Santos, a médica veterinária Diana Becker e o especialista Carlos Eduardo Consulim.

Perguntamos aos palestrantes Prof. Dr. Camilo Lellis-Santos e ao Prof. Dr. Marcelo Fukuda questões relacionadas ao meio ambiente, principalmente sobre nosso recurso hídrico e a situação brasileira em relação ao meio ambiente, vejam a resposta:

Como o senhor vê a situação do meio ambiente brasileiro hoje em dia? E dos nossos recursos hídricos?

Prof. Dr. Camilo Lellis-Santos

“O meio ambiente no Brasil é sem dúvida algo incomparável e insuperável, o problema somos nós brasileiros. Nossa situação de consciência ambiental é crítica, doente e reflexo de nossa (ir)responsabilidade de preservação. Em primeira instância é consequência da ausência da cultura de apropriação ambiental ensinada e aprendida nas escolas. Não há preocupação com o meio ambiente pois há uma falsa intuição brasileira de que moramos “num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”. Há uma crença de que o Brasil é e sempre será um paraíso infinito, que não precisamos fazer nada por nosso ambiente pois é tão grande e imenso que nossa natureza jamais se esgotará. Estamos destruindo nosso meio ambiente, mas não nos damos conta de que somos os reais autores desse fenômeno, ainda que seja por um ato de negligência. Quantas escolas pararam para discutir a gravidade do acidente em Mariana (MG)? Quantas escolas se dedicam a ensinar sobre nossos projetos de preservação ambiental? Qual criança entende seu papel no consumo energético do país? Por hora, nosso Brasil ainda resiste, mas o fracasso se aproxima. Espero que compreendamos o processo de desertificação que estamos causando em nossa região centro-oeste/sudeste porque certamente morremos na praia. Praia essa rica bastante rica para o lazer, mas fracamente e impropriamente explorada. Não há planejamento de recursos pesqueiros em nosso país. Não mais doce é a situação de nossas bacias hidrográficas. Novamente, a educação é algo distante da conscientização de nossa população. Quantas crianças sabem dizer quem é Neymar e quantas crianças sabem dizer quem é a mata ciliar? Eis aí o problema, não se discute e não se responsabiliza os brasileiros pelas calamidades impostas aos nossos recursos hídricos. A menos que haja um peso no bolso, mas infelizmente nesse caso a preocupação é apenas um ato egoísta, aquém da real necessidade de preservar para futuras gerações. Quando há falta, há preocupação. Quando há desastre, há atitude. Nossos recursos hídricos são mal administrados e pouco planejados pois não há valor agregado. Não pela oferta, a qual fomos generosamente agraciados, mas pela presunção da certeza de sempre possuirmos esses recursos disponíveis ou fornecidos pelo Estado. Os recursos naturais e hídricos dos brasileiros, pela ignorância, não são cuidados como reservas, mas como bens de consumo imediato.”

Prof. Dr. Marcelo Fukuda

“A situação do meio ambiente no Brasil é algo que requer constantemente nossa atenção e vigilância como sociedade. Ainda que certos indicadores venham tendo, de uns tempos para cá, certa melhora, devemos lembrar que essa melhora é em relação a índices e números anteriormente absurdos, como no caso dos desmatamentos na Amazônia e Cerrado. Apesar dessas melhoras, pensamentos ainda retrógrados, como no exemplo de muitos ruralistas, almejam sempre áreas maiores, vendo apenas nesse aumento de área utilizada (logo, desmatada) a solução para aumentos de produtividade, sem considerar novas soluções técnicas e tecnológicas, que trariam efeitos semelhantes em produtividade, mas superiores, ao se considerar o ganho ambiental.

No que tange aos recursos hídricos, ainda pecamos bastante por uma ilusão dada pela abundância, de que seriam algo infinito. Recentes eventos, como a crise hídrica no estado de São Paulo, nos alertam para o fato de que o aumento da população requer uma mudança no pensamento, tanto das pessoas quanto dos governos, visando ao uso racional dos recursos em geral. Além disso, nos fazem perceber o quanto, quando se trata do meio ambiente, os eventos são interligados. Por exemplo, muito da crise hídrica deve-se a mudanças no fluxo de rios, dadas em grande parte por desmatamentos de áreas de nascentes, e por alterações em regimes de chuvas, influenciados por desmatamentos em áreas distantes, como na Amazônia.

Com tudo isso, vemos a importância da conscientização da população tanto no quesito ambiental quanto político para, por um lado ter a real noção dos problemas que se apresentam, e por outro, saber os meios e possibilidades de pressionar seus representantes, para que esses não representem interesses próprios ou apenas de minorias que sabem pressioná-los, mas realmente do conjunto do povo. E também uma conscientização individual do papel que cada um exerce no conjunto, no que cada um pode fazer na sua esfera de ação; infelizmente, não são raros casos de pessoas que dizem apoiar a causa ambiental, mas que, por exemplo, jogam aquele papelzinho de bala na rua ou deixam a luz acesa de forma desnecessária, não percebendo o impacto que suas atitudes têm no conjunto.

Alguns exemplos de melhorias substancias nos ensinam a importância da contínua educação e conscientização da população para as questões ambientais. Por exemplo, o Projeto Tamar, que ao longo de sua existência conseguiu reverter muitas das situações bastante problemáticas em que se encontravam populações de diversas espécies de tartarugas-marinhas, consegue bastantes de seus intentos graças à visibilidade que proporciona a vários dos problemas que trata. A opinião pública, assim sensibilizada, exerce pressão, para que soluções a esses problemas possa ser melhor encontradas. Outros exemplos do poder da conscientização puderam ser vistos com as diversas soluções encontradas pelas pessoas para contornar a já citada falta d´água em estados da região sudeste do Brasil, com usos mais racionais desse precioso recurso.

Assim, apesar de nesse amplo tema da questão ambiental muitos pontos ainda serem bastante preocupantes, vemos uma pequena, porém progressiva, melhora. E, como indica a velha máxima do desenvolvimento sustentável, “pense localmente, aja globalmente”, cada um deve enxergar-se como peça ativa e de responsabilidade para que assim continue e progrida sempre mais”.